Arraial D'Ajuda, sua História

O nome “Arraial d’Ajuda” foi uma homenagem a Tomé de Souza e aos primeiros Jesuítas que aqui chegaram em 1549, com suas três naus: Conceição, Salvador e Ajuda, que viriam a ser nomes de cidades e de suas primeiras igrejas. Antes da construção da capela de palha só havia um planalto com uma plantação de cana, porque no ano de 1530, o rei de Portugal ordena a Martin Afonso de Souza e sua expedição colonizadora, que faça como objetivos: povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de “cana-de-açúcar“ no Brasil.

A Ermida de N. Sra. d'Ajuda começou a ser construída, logo após a chegada da expedição, com taipa, adobe e cobertura de palha e ao seu redor foram construídas casas, que além de abrigarem os Jesuítas, serviam também para o trabalho de catequese dos índios conforme o relato de Fausto Rodrigues de Almeida, em seu livro "Descubra Porto Seguro". O Arraial não participou da chamada "rede urbana do século XVI" como Porto Seguro e Cabrália.

Na formação do povoado o ciclo da cana-de-açúcar vai até 1720, e a do cacau a partir desta data. outros produtos sem grande influência foram: piaçava, algodão, farinha de mandioca e pesca. Os vários grupos étnicos, indígenas tupiniquins (depois os pataxós), negros e os estrangeiros (portugueses, franceses, holandeses, ingleses e espanhóis) também deixaram suas marcas. Mas a maior de todas, sem dúvida, foi a peregrinação religiosa de centenas de pessoas que vinham em romaria buscar a água. Propagado pelos Jesuítas, "fez Nossa Senhora mercê de abrir milagrosamente aquela fonte". A boa nova do milagre se espalhou por todas as capitanias do Brasil.

Em 1763, o Ouvidor Tomé Couceiro de Abreu, escreve ao rei de Portugal sobre as “vilas e rios da capitania do Porto Seguro”, onde fala de Trancoso e Vale Verde, mas não menciona o Arraial. Há uma hipótese de que, o Arraial seria a antiga vila de Santo Amaro, ou que se chamava de vila de “Insuacome”. Dez anos depois, em 1772, a ermida sofre uma reforma, mas só em 1930 é que sofre a grande transformação, com paredes de argamassa a base de óleo de baleia e telhado de argila, sendo erguido então o 1º altar mor, que mantém suas características atuais. Um ano antes foi erguido o prédio do banho da santa, na fonte sagrada.

O conjunto arquitetônico atual do altar é composto de cinco imagens: o Crucificado, Santo Amaro, Santo Antônio e duas imagens de Nossa Senhora d'Ajuda, uma menor, considerada milagrosa, com 31 cm de altura, trazida de Portugal, junto com os missionários Jesuítas, e outra maior, do Século VXIII. Ambas permanecem no altar mor, ficando a pequena instalada numa posição superior. A igreja possui uma sala de milagres, com inúmeros votos de agradecimento à santa. O mais antigo é datado de 1893.. 

A construção da Igreja, foi determinante para o crescimento do vilarejo, que progrediu a partir do Século XVIII. Com as notícias dos milagres atribuídos à Fonte de N. Sra. d'Ajuda, que passou a atrair muita gente, os Jesuítas abriam sua portas para alojar gratuitamente os romeiros que buscavam a "fonte milagrosa".

O "Santuário do Arraial d'Ajuda" é considerado o mais antigo santuário católico do Brasil, cuja romaria acontece no mês de agosto, a partir do dia 06, com o ápice da festa em homenagem à santa padroeira, no dia 15.

Milagres de N. Sra. d'Ajuda fazem história

Por aqui passaram o padre Manoel da Nóbrega que rezou a missa de Natal na igreja em 1550 e José de Anchieta que veio em romaria em 1583, que escreveu no início do século XVI sobre "o sonoro brando sussurro da água, que milagrosamente jorrou de uma fonte, fora do frontispício da igreja, ao pé de uma frondosa árvore, quando o padre Francisco Pires celebrava ali o santo sacramento da missa".

Além de Anchieta, outros autores apresentam várias versões sobre o milagre d'água, entre eles, o padre Simão de Vasconcelos em sua “Crônica da Companhia de Jesus no Estado da Bahia”, de 1864. O padre conta: "Um velho lenhador, habitante de um rancho nas redondezas da costa, subiu um dia ao ápice da montanha com o objetivo de encontrar melhor madeira com que pudesse restaurar alguns portões de sua cabana, quando esbarrou num fragmento de rocha: era a milagrosa santinha. De joelhos, o homem simples tomou-a nas mãos e retornou logo à sua casa, colocando a imagem numa cavidade da parede de seu humilde casebre, enfeitando lhe com flores diversas. Todo o resto do dia o homem se pôs a rezar, até dormir, vencido pelo sono. Logo ao acordar dá por falta da santa e volta ao mesmo local da véspera, onde lá estava a imagem, na mesma posição. O lenhador traz a santinha de volta e a coloca no oratório. Torna a rezar e a dormir e ao abrir os olhos, nada da imagem. Pela terceira vez ao encontrá-la, compreendera o seu divino propósito e transfere sua cabana para o lugar do precioso achado, hoje ocupado pelo templo. O lenhador torna-se então, um ermitão, e passa a peregrinar pelos arredores, fazendo curas milagrosas, cujos proventos se destinavam ao levantamento de uma igreja para a santa, à qual deu o nome de Nossa Senhora d'Ajuda".

Segundo o padre Serafim Leite, na sua "História da Companhia de Jesus", edição 1945, afirma que, foi Vicente Rodrigues o descobridor da fonte. “Foi no tempo da construção da primeira casa. Estando lá dois padres, Vicente Rodrigues e Francisco Pires, quis o próprio Deus; e a terra se abriu e surgiu a mais famosa fonte que até agora há naquela terra”.

Outra lenda diz que: "em vendo o irmão doente e cansado encostar-se ao tronco daquela árvore muito frondosa, ao lado da ermida, pediu a Nossa Senhora o milagre de lhe dar água naquele lugar". Padre Nóbrega que estava presente disse: "mais podia a Senhora !”, e quando todos estavam na missa deste mesmo dia, no meio do santo sacramento, arrebentou de súbito um grande jorro de água no lugar do tronco onde o irmão tinha ficado".

Até o início do século XIX o Arraial d'Ajuda parecia não existir com alguma notoriedade maior, até o início da década de 70, com a nova alternativa de vida, vinda com os primeiros hippies, atraídos pelo estilo de vida casual, a simplicidade e a exuberância natural. A localização privilegiada, a 17º de latitude - mesma de Bali e outros endereços místicos - atraem esotéricos, alternativos e aventureiros seduzidos pela atmosfera singular que envolve a cidade. Não à toa, Arraial é chamado de esquina do mundo, onde as várias culturas se encontram e se completam.

Grandes estrelas internacionais já foram cativadas pelo charme local: Jacques Villeneuve, Michael Schumacker, Emerson Fittipaldi, Robert de Niro, Richard Gere, Jimmy Cliff entre outros. Biquíni, short e chinelo de dedo, é a roupa de praxe ao longo do dia e mesmo nos agitos noturnos.